De olho no mercado

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos anunciou ontem que o governo americano decidiu adiar de primeiro de setembro para 15 de dezembro a imposição de tarifas sobre alguns produtos chineses, como celulares, computadores, consoles de videogame, brinquedos, monitores, calçados e alguns outros itens. O presidente Donald Trump comentou que tomou essa decisão para evitar “impactos nas compras de final de ano dos consumidores americanos”.

O evento acima fez com que o dólar se afastasse um poucos dos R$ 4,00, embora durante parte da manhã tenha operado acima deste patamar. Em dia de muita volatilidade, a moeda norte-americana fechou em queda de 0,46% (sendo que na máxima bateu em R$ 4,0125).

Bom, o recado aqui é bem claro: essa disputa comercial entre EUA e China terá “muito pano pra pouca manga” ainda. Todos sabem os efeitos, é um sobe e desce danado (numa guerra comercial não há ganhadores). Mas o fato é que, nos próximos dias, poderemos ter um fôlego e passar a olhar outras coisas, como a reforma da Previdência e a tributária. Este “alívio momentâneo” pode fazer com que o câmbio volte a se apreciar, mas o cenário base ainda não mudou.

Apesar desta preocupação com o cenário global, uma pesquisa do BofA para a América Latina divulgada ontem mostrou que os investidores seguem confiantes com o Brasil, acreditando que recuperaremos o grau de investimento. Os problemas para a região, segundo a pesquisa, são a guerra comercial, a China e o preço das commodities (somos franco exportadores disso).

Falando um pouco de Argentina, ontem a bolsa de lá recuperou-se das perdas sofridas na segunda-feira e o índice fechou em +10,66% (havia caído 38%). O risco-país subiu mais 222 pontos, e o peso argentino subiu mais 6%, fechando em 55,299 por dólar.

Nos EUA, um fato preocupante: os rendimentos dos títulos americanos de dez anos zeraram a diferença para os de dois anos. Isso indica que uma recessão pode estar próxima….  (é a famosa inversão da curva de juros).

Na agenda do dia teremos a reunião extraordinária do CMN e a divulgação de alguns balanços (fora o leilão diário de rolagem do Bacen).

Na Ásia as bolsas já fecharam e praticamente todas elas subiram hoje. O clima foi de alívio em relação às discussões comerciais entre EUA e China, mas os ganhos forma limitados por conta dos indicadores vindos da economia chinesa mais fracas do que o esperado. Já na Europa elas operam em baixa com receios sobre a economia global e com a divulgação de indicadores fracos na região.

As moedas emergentes neste momento perdem valor frente ao dólar, e o mercado está na defensiva (1) preocupações com a economia global, (2) dados fracos vindos da China e da Europa, e (3) juros dos Treasuries de dez anos estão abaixo dos de dois anos). O dólar deve abrir em alta hoje por aqui.

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