De olho no mercado

MERCADO  As bolsas europeias e os índices futuros em Nova York ampliaram as perdas nesta manhã reagindo ao impasse comercial sino-americano, sem tirar do radar os efeitos negativos do Brexit para a economia do Reino Unido. Os mercados chineses chegaram ainda a fechar em alta mais cedo, na volta do feriado da semana dourada e após a tensão geopolítica entre os governos americano e turco minar o humor em Nova York e no Brasil ontem à tarde. Mas o clima no exterior piorou após a Bloomberg noticiar que a China sinalizou nesta terça-feira uma possível retaliação, depois que Washington colocou oito gigantes chinesas do setor de tecnologia numa lista negra por suposta violação, por parte de Pequim, dos direitos de minorias muçulmanas. Ao ser perguntado se Pequim pode retaliar os EUA, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, respondeu: “Fique ligado”.

Além disso, a delegação de Pequim que viajará para Washington poderá encurtar sua viagem, eliminando a possibilidade de que as conversas se estendam até a noite de sexta-feira, segundo uma fonte que falou sob condição de anonimato. O alerta, às vésperas da retomada das conversas em Washington na quinta-feira, já deixa os investidores na defensiva. Há grande desconfiança de que as negociações entre os representantes das duas maiores economias do mundo possam resultar em um acordo para redução gradual das tarifas bilaterais. Caso não haja progresso, os EUA já têm uma nova elevação de tarifas de importações marcada para o dia 15/10, quando passará a ser cobrado 30% (ante 25%) sobre US$ 250 bilhões de produtos chineses.

Na agenda, há expectativas pelo discurso à tarde do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que antecede a divulgação, amanhã, da ata da última reunião de política monetária da instituição. Em setembro, o Fed cortou a taxa de juros dos Fed Funds em 25 pontos-base, para a faixa entre 1,75% e 2,00%. Na última sexta-feira, o relatório de empregos dos Estados Unidos (payroll) de setembro mostrou solidez, após quatro indicadores ruins de atividade no país divulgados na semana passada, provocando a reprecificação das apostas de cortes de juros e o que se espera é que Powell possa dar sinais sobre a propensão dos membros do Conselho Federal de Mercado Aberto (Fomc) em afrouxar mais ou não a política monetária.

BRASIL – No Brasil, o mercado fica atento à reunião de governadores, da qual podem participar os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, para tentar um acordo que possa destravar o impasse da cessão onerosa, que virou moeda de troca para a aprovação do segundo turno da reforma da Previdência no Senado. O edital do megaleilão do pré-sal está na pauta da sessão pública do TCU desta quarta-feira e o leilão do óleo excedente da cessão onerosa está marcado para o dia 06 de novembro. Embora a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) tenha publicado o edital em 06 de setembro, o TCU ainda precisa aprová-lo e sugerir alterações. O bônus de assinatura do leilão é de R$ 106,5 bilhões. Desse total, a Petrobras ficará com R$ 33,6 bilhões e a divisão do restante dos recursos é objeto de disputa entre Senado e Câmara.

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