De olho no mercado

Mercado mundial – O mau humor externo também pode influenciar os negócios. Os futuros de Nova York retornam do feriado em baixa, refletindo aumento das tensões entre Estados Unidos e China sobre Hong Kong. Mas o pregão será reduzido, Hong Kong segue no centro das atenções do investidor europeu na manhã desta sexta-feira em que outras informações de origens bem variadas também afetam o rumo dos negócios. Os principais pregões do continente operam majoritariamente no vermelho, mas não com muita profundidade, levando o Stoxx-600 a ceder 0,12%, para 408,78 pontos com a maioria das bolsas registrando o segundo dia consecutivo de quedas. O temor principal é com as consequências da ratificação pelo governo americano da lei que apoia os manifestantes de Hong Kong, o que prejudica as perspectivas de progresso nas arrastadas negociações comerciais sino-americanas.

Muitos outros temas, no entanto, também afetam as transações hoje, como indicadores de atividade. Logo no início dos negócios locais, a França divulgou que seu Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,3% do segundo para o terceiro trimestre do ano, conforme havia apontado o dado preliminar.

Há pouco, a Eurostat publicou que o dado da inflação preliminar ao consumidor da zona do euro de novembro subiu 1% na comparação anual, ante previsão de analistas de elevação de 0,9% – em outubro, estava em 0,7%. Também divulgou que a taxa de desemprego recuou a 7,5% em outubro, como previsto pelo mercado, depois que o resultado de setembro foi revisado de 7,5% para 7,6%.

Mais cedo, a Alemanha informou que as vendas no varejo recuaram 1,9% de setembro para outubro, conforme dados preliminares. Ante outubro do ano passado, no entanto, houve alta de 0,8% em termos de valores reais e, no acumulado do ano, avanço de 2,8% ante o mesmo período de 2018. No Reino Unido, a confiança do consumidor segue no nível mais baixo em 6 anos, em -14, mas há sinais de que o humor dos britânicos melhora em relação a 2020, o que foi atribuído à passagem das eleições gerais no próximo dia 12 e à expectativa de que, com isso, haja alguma resposta mais concreta em relação ao Brexit, como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Mercado Brasileiro – A disputa técnica pela formação da última taxa Ptax de novembro em meio a uma liquidez mais fraca com o fechamento mais cedo dos mercados em Nova York nesta black-friday pode adicionar volatilidade ao dólar ante o real. Com o recuo do dólar ontem para o patamar de R$ 4,21 no mercado à vista, após a venda de US$ 1 bilhão em leilão – o quarto na semana – e a revisão para cima das exportações brasileiras de novembro, o Banco Central não programou nova oferta à vista para hoje. No entanto, se houver volatilidade excessiva, operadores não descartam um novo leilão de venda do BC, o que seria mesmo em dia atípico de definição de Ptax. A moeda norte-americana caiu 1%, a R$ 4,2158 ontem, mas ainda acumula alta de 5,14% neste mês – que favorece os comprados em contratos cambiais (apostam na alta), e de 8,82% no ano. O dólar está misto ante divisas emergentes no exterior e o vendido em câmbio (apostou na queda) pode pressionar a taxa para baixo a fim de tentar m! inimizar perdas no período.

Por enquanto, o BC já marcou apenas o início da rolagem dos 149.130 contratos (US$7,5 bilhões) de swap cambial com vencimento em fevereiro, a partir de segunda-feira, dia 2 de novembro. O Banco Central continuará realizando leilões diários de venda de dólares à vista e swaps cambiais – reverso e tradicional – no período de 2 a 20 de dezembro. Na segunda-feira (2), o BC realizará pela manhã as três operações cambiais: venda à vista de dólares, venda de contratos de swap cambial reverso (ambos às 9h30) e venda de contratos de swap cambial tradicional (às 11h30, se for necessário em caso de sobra nas ofertas anteriores da manhã).

Fica no radar também o ministro da Economia, Paulo Guedes, após o subprocurador-Geral do Ministério Público (MP) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Rocha Furtado, ter pedido a apuração de possíveis perdas provocadas pelas declarações do ministro sobre a alta do dólar e o AI-5 (Ato Institucional número 5).

– O mercado de juros abre com a leitura da taxa de desemprego no trimestre até outubro, no âmbito da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Mensal (9h00). O dólar, que ontem teve alívio e fechou a R$ 4,21, segue no radar em dia de disputa pela formação da Ptax, que pode trazer alguma volatilidade.

“A curva de juros doméstica poderá seguir devolvendo as altas acumuladas nos três primeiros dias de negociações da semana”, avaliam economistas da Renascença DTVM, em análise a clientes.

Ontem as taxas recuaram com a moeda americana e a curva de juro aumentou a precificação para 69% de chance de corte de 50 pontos-base da Selic em dezembro, de 60% anteontem, e 31% de possibilidade de redução de 25 p.b (de 40%), segundo cálculos da Quantitas Asset.

As novas regras do cheque especial, que limitam a cobrança de juros na modalidade de crédito mais cara do País, devem impactar a outra ponta dessa relação: os acionistas dos bancos. As mudanças, associadas ao aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para o próximo ano, chamam atenção, principalmente, porque ocorrem em meio à discussão por parte da equipe econômica do governo Bolsonaro de estender a cobrança de impostos, hoje restrita às companhias, também aos dividendos no âmbito da reforma tributária.

Enquanto os bancos calculam os impactos das novas regras, analistas já mensuraram o prejuízo para o setor. A expectativa é de que as mudanças no cheque especial tenham reflexo entre 1% e 5% no lucro líquido dessas instituições no próximo ano, considerando projeções do Credit Suisse, Citi, Eleven Financial e Bradesco BBI. Para as receitas, eles vêm impacto entre R$ 7 bilhões e R$ 25 bilhões. Embora oficialmente não tenham se manifestado, nos bastidores, os bancos sinalizaram que a perda de receita deve comprometer entre 3% e 4% os resultados de 2020.

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