De olho no mercado

Mercado internacional – Os índices dos gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) de todo o mundo aumentaram em um sinal aparente de que a economia mundial está se estabilizando após uma forte desaceleração este ano, à sombra da guerra comercial EUA-China e o Brexit.

No entanto, qualquer otimismo foi mantido em suspenso depois que o governador do Banco Central da China, Yi Gang, publicou um artigo alertando que a desaceleração provavelmente seria prolongada e que a China deveria evitar programas extraordinários de estímulo monetário. Além disso, Hong Kong disse que as vendas no varejo caíram 24,3% em valor em outubro, a pior queda já registrada e o quarto mês consecutivo de queda de dois dígitos.

À parte, Pequim informou que suspenderia o direito de navios de guerra dos EUA de atracar em Hong Kong, na mais recente de uma série de retaliações simbólicas à passagem do projeto de lei de Direitos Humanos e Democracia de Hong Kong dos EUA.

Os mercados de ações dos EUA estão prestes a abrir novos recordes na segunda-feira, apoiados pelo desempenho aparentemente forte do varejo no final de semana do feriado e pela melhoria nas pesquisas mundiais de fabricação.

Os contratos futuros do S&P 500 atingia uma nova alta histórica de 3.157,62 da noite para o dia, antes de voltar a ser negociado às 3.151,62 às 8h15 (horário de Brasília), um ganho de 0,3% no final da sexta-feira. Os contratos futuros de Dow e Nasdaq100 ficavam ligeiramente abaixo desse índice, com 0,2%.

Os mercados asiáticos e europeus também foram negociados em alta da noite para o dia.

Mercado Brasileiro – A edição do boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC) trouxe a confirmação da tendência de elevação do IPCA para o fechamento de 2019. O levantamento realizado pela autoridade monetária aponta que a inflação oficial deve fechar o ano em 3,52%, contra 3,46% da pesquisa da semana passada, sendo que há quatro semanas a aposta era de 3,29%, ainda abaixo do centro da meta de 4,25% e dentro da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

No radar, a alta do preço de proteína animal devido ao maior apetite chinês a carnes de todos os tipos após a peste suína africana dizimar metade do rebanho de porcos do país. O preço da arroba do boi gordo a Grande São Paulo atingiu a máxima histórica neste mês, cujo pico foi de R$ 233,10 na terça-feira da semana passada no mercado futuro da B3. Na sexta-feira, o preço do boi gordo fechou a R$ 212,90 na bolsa paulista.

A valorização do dólar em relação ao real também influencia as previsões mais altas do IPCA para o fim deste ano, com o repasse cambial sobre os preços internos. Os preços dos combustíveis são os mais impactados, assim como também exerce pressão altista sobre o preço da proteína animal. Outro componente da cesta de consumo em alta no fim de 2019 é o preço da energia elétrica, devido à falta de chuvas nas regiões dos reservatórios hidroelétricos.

O impacto da pressão sobre os níveis de preço se restringem no curto prazo. Para 2020, os analistas mantiveram as mesma projeções do IPCA da semana passada, estimando uma alta de 3,60%, também abaixo do centro da meta de 4% estabelecido para o ano que vem. Há quatro semanas, os economistas também projetavam alta de 3,60% no índice de preços para o ano que vem.

As apostas de crescimento do PIB de 2019 para esta semana é 0,99%, mesmo patamar estimado na semana passada. Há 4 semanas, os economistas apostavam que a economia brasileira iria crescer 0,92%, com os analistas mantendo a estimativa de uma recuperação lenta e gradual da economia brasileira após as retrações de 2015-2016. Para 2020, a estimativa foi de 2,20% para 2,22%, quarta semana seguida de alta nesta projeção.

Apesar de alcançar máximas intra diárias e bater recordes de fechamento na semana passada, as estimativas para o dólar no fim do ano teve manutenção. A moeda americana deve fechar o ano a R$ 4,10. Para o encerramento de 2020, a aposta foi elevada de R$ 4,00 para R$ 4,01, avançando depois de cinco semanas neste patamar.

Com apostas de crescimento maior do PIB e mais elevado, os analistas projetam uma Selic a 4,50% em 2019 e em 4,50% em 2020, apostando em mais um corte de 0,50 ponto percentual na reunião de política monetária de dezembro – e sinalizada pela autoridade monetária no último encontro.

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